domingo, 11 de março de 2012

As vezes voltar no tempo parece ser uma coisa interessante. Não para mudar o que aconteceu, mas para reviver por um instante o derradeiro acontecimento. Aquele frame. Só.
Ver de fora como foi, imaginar como poderia ter sido. Apenas assistir, como num filme, as próprias memórias. A verdade ficaria mais evidente. Dizem que a cada vez que você lê um texto ou um livro você o enxerga de outra maneira. Quem sabe não seria assim?
Por ventura do destino
Hoje não adentrei
No mundo das ideias.
Meu acesso foi negado,
Vetado,
Terminantemente refutado.
Não achei a fonte doce
Das palavras mudas.
Não amei as trépidas musas.
Não chorei por Adão,
Nem cantei sobre ipês.
Hoje não há sabor.
Não há calor.
Não há rebento,
Nem melancolia.
Hoje há um poço fundo
De infinitas possibilidades
Nunca antes (e nunca depois)
Exploradas.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Feliz Dia Internacional da Mulher

Aquela fotografia na parede. Me incomodava profundamente. Aquele borrão disforme, aquele sorriso onde deveria estar uma carranca, nada disso faz sentido em branco e preto.
Não havia pureza, não havia paixão, tinha beleza. Luz e sombra, borda irregular, tinha tudo. Mas havia muito coração, muita troca de pronomes pessoais. Muito amor pra acabar. E amor que se esquece é triste.
Aquilo me incomodava profundamente.
Não devia ser enfeite de janela preso com imã de geladeira. Devia ser só memória. Ou, no mínimo, o marca páginas de uma edição vagabunda da Antologia Poética de Um Poeta Qualquer. 

terça-feira, 6 de março de 2012

Formas humanas
São tão estranhas
Quanto aquelas tamanhas
Do vento ou da cor.
Tornozelos pintados
Arregaçados, braços
E pernas de senhor.
E os olhos castanhos
De cegos e fanhos
De rotos, furados,
Sapatos rasgados.
As formas humanas
Não são mais mundanas.
Já foram estranhas
Hoje não são.
"Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra." - O CORTIÇO - Aluízio Azevedo