quinta-feira, 9 de setembro de 2021

quinta-feira, 18 de junho de 2020

mais um dia

Mas um dia se finda
As soluções ficam mais distantes
Olho ao redor
Parece impossível manter o ânimo 
O inverno está chegando 

domingo, 14 de junho de 2020

Volto aqui buscando um espaço não editado
Ainda assim, verdadeiramente exposto
Onde a poesia pode traduzir
O que a simples ordenação lógica das palavras é incapaz

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

 "Você vai me desculpar se isso que estou dizendo não seja verdade, mas uma simples mentira" - O Bandido da Luz Vermelha

quarta-feira, 17 de julho de 2013

"(...) no pecador já se acha contido, hoje, agora mesmo, o futuro Buda. Tu deves respeitar na pessoa desse pecador, na tua própria pessoa, na de qualquer homem, o Buda em Botão, o Buda possível, o Buda oculto. O mundo, amigo Govinda, não é imperfeito e não se encaminha lentamente à perfeição. Não! A cada instante é perfeito. Todo e qualquer pecado já traz em si a graça. Em todas as criancinhas já existe o ancião. Nos lactantes já se esconde a morte, como em todos os moribundos há vida eterna. A homem algum é dado perceber até que ponto o seu próximo já avançou na senda que lhe coube." Sidarta, Hermann Hesse.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

É difícil voltar a escrever


Amor tem razão.  Desenvolvemos um sentimento afetivo de carência e seretonina, perfeito pra ganhar e dar confete. Depois de algum tempo vivendo você percebe que não é falsidade ou hipocrisia. Amor é primeiramente real. Em seguida, é necessário. Para suprir desejos hormonais e o espaço que o seu corpo forma na cama? A curva do seu pescoço que anseia por ser preenchida no laço de um abraço? A saudade e a nostalgia, a solidão e todas as outras desculpas? Também. 
O meu problema é que eu sinto. Se não sentisse, toda a vida seria mais fácil. A eternidade seria paz. O silêncio, saudade e meu coração, ainda um músculo.
O nosso problema e que nos culpamos os órgãos errados. Melhor, o nosso problema é que nós culpamos. 

domingo, 7 de abril de 2013

Quando os teus olhos cansados
Encontram o chão de azulejos brancos
Na carteira fria,
Quando teus sorrisos se escondem
Por trás da máscara de antipatia,
Por trás da máscara de mistério que te rege,
Quando a sua mocidade perde o viço
Quando suas pernas dobram e só pensa no melancólico violão de um certo Francisco,
Meus braços se abrem
E mentalmente te afago,
Mentalmente te chamo:
Vem cá, larga essa marra.
Abre o teu peito
Que eu prometo que te curo amanhã.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Coleção de poemas suicidas #1

Pensei em andar para cá
Pensei em votar para lá
Pensei em ampliar a exumação desse cadáver
Pensei em chamar o pensamento
De estúpido
O anjo de mau
Pensei em arrancar as unhas
E sangrar pelas mãos

domingo, 20 de janeiro de 2013

Pela grande janela de vidro entra a luz crepuscular. O sono persiste como pano de fundo para os acontecimentos internos. Como se tivesse 93 anos e tomasse consciência de que a morte se apoderava das carnes que habitava, uma singela e solitária lágrima escorreu pelo canto direito do rosto, diretamente para o travesseiro. Uma lágrima nostálgica pelo que se perdia.
Aquilo também era um tipo de morte. Um tipo de morte muito severa, muito passiva. Um tipo de morte a que não se pode sentir ódio, pois é feita parte vital de um ciclo humano. Um tipo de morte fruto de um descuido casual, cujos resultados não podem ser escolhidos ou negados.  Entende-la? Não, não se entende, mas se aceita, com condição passiva e resignada o que acontece nas entranhas de um corpo despreparado para vida e para a criação da mesma.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Prefiro assim.
Sem roupa, sem maquiagem,
Sem peso, de cabelo solto.
Nua, nua, nua, nua, nua, nua,
Em todas as instâncias do amor.

18/09/12 escrito no canto inferior direito de uma prova bimestral de física

O amor é um pedaço de terra, comprado a muito custo, num pouco desértico de mundo. Sem água, nem luz, nem nitrogênio, uma planta miúda nasceu.
Os ventos de dezembro não trazem nada, porque dezembro não tem ventos, tem mormaço. Tem Bukowski e falta de amor próprio. Dezembro carrega uma ironia particular, um famigerado e repetitivo ar de esperança, de fim, de vitória ou de perda de tempo total. De porre.
Dezembro carrega em si um ar de urgência, de pressa para acabar, de pressa pra ir embora e inserir um ponto final na história de um ano melancolicamente real. Impossível, inacreditável. Dezembro é a lembrança do meu fracasso E da minha amargura. É a lembrança de não ser lembrada.
Dezembro é a destituição dos fatos. Dezembro é o fim. Dezembro é só mais uma contagem temporal inútil. Só um mês e mais nada.
Se agosto é o mês do cachorro louco, dezembro é o mês do homem quebrado.
Dezembro é o fim para mim.
É quando os restos mortais daquela flor lilás que nós achamos juntos na calçada se esfacelam por acidente em meu colo.
Dezembro é o mês de entregar os pontos, o mês do cansaço e do esboço. Dezembro é a hora de pensar que nada valeu a pena, que foi tudo uma desgraça. De perceber que você caminha sozinho.
Dezembro é o mês da autopiedade, do remorso, da inquietação, da falta de perspectiva.
Dezembro é o mês do ócio e do ósculo descoberto.
Temo janeiro. E o dezembro que vem.
Porque dezembro ainda é a representação de futuro.
Dezembro é a morte prematura de algo que não se permite acabar.
Dezembro é imperceptível. Rápido, de uma forma contraditoriamente arrastada.
Dezembro é o próprio porre. Ganho aos sopetões, em goles para engasgar, com ânsia, feito água pra matar sede.
Dezembro é uma necessidade corrupta de provar a si mesmo sua capacidade de fatigar o outro e a si.
Dezembro é um pé no saco, uma vertigem, uma impotência de 31 dias.
Dezembro é a crueldade da repetição e da ausência do novo.
Dezembro é tudo que desprezo nos outros (é tudo que desprezo em mim).
Dezembro é o turbilhão, a raspa do tacho, a angústia prevista.
Dezembro é a necessidade do fim que nunca vem.
Dezembro é uma nuvem de poeira diretamente nos meus olhos.
Dezembro é o esclarecimento dos erros e a escancaração dos mesmos. Dezembro é a descoberta bruta.
Dezembro é um soco no ouvido.
Dezembro é uma flor negra e um fruto podre de uma vida sem grandes feitos.
Dezembro sou eu e ninguém mais.
Dezembro é o fim que nunca chega do filme que te angustia pela dor de cabeça que te provoca.
Dezembro é a penitência total.
Dezembro é um semi amar. Dezembro é o caos, o terror, a poesia.
Dezembro é uma falsidade sem tamanho, para suprir as iposições do superego.
Dezembro é a vontade de se jogar de um prédio de 90 andares, esperando que alguém milagrosamente te salve antes de cair. 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Ansio pela vida de nunca terei. Pelos tempos vindouros que, numa determinada esquina ou campo aberto, se esclarecerão como inexistentes, como fruto onírico da infância, do desejo capitalista, das revistas de moda com lindos anúncios publicitários próximos ao mar mais azul que eu já (não) vi. Espero secretamente (tão secretamente que nem me dava conta até então) por qualquer coisa impossível, qualquer coisa que, mesmo que seja real, não terá o sabor que agrego a ela agora.  Qualquer coisa inexistente, inatingível. Tomo consciência de sua virtude de sonho, mas, por uma força ainda inesclarecida, não há maneira de me desvenciliar do propósito de alcançar o sonho, que não tem forma definida, mas tem vontade. Vontade febril de existir.

sábado, 24 de novembro de 2012

Sou diferente de todas as coisas que acreditava ser. Inacreditávelmente diferente de tudo que pensava existir e de tudo que ainda poderei ser. Pensar nada adianta, se nada segue adiante. Estática personalidade, mutantes estatísticas sobre minha pressão interna. E temperatura corporal volúvel, volume se conserva. Dizem por aí: "É daquelas tipo transformação isocórica, sabe?". Sou física pura, meu bem.
A sincroniza da felicidade aparece e para em meu peito. Estaciona momentaneamente, mas ainda em movimento. Não sei de que forma. A calma de amor me preenche. Algo além do meu próprio corpo me preenche. Talvez devêssemos dar mais chances ao acaso, ao presente, ao que se oferece. Abrir mentes e corações para o que os seres humanos podem fornecer espontaneamente. Penso apenas no presente e como se fosse uma mistura sincera de Alberto Caeiro e Ricardo Reis, parece que mergulho num universo de sono e sonho. Quero viver.

"Is nice to love and be loved"

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O mundo está todo do avesso. Preciso dizer as palavras que sinto, as coisas que penso. Gritar através dos signos, das montanhas, das pessoas, dos próprios gritos. A voz mais suave de todas, é o grito mais poderoso.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Pensando bem, não era tanto assim uma questão de hábitos nem de mimos. Acontece que toda hora é hora de avançar na escala evolutiva, subir mais um degrau. É mesmo impossível ficar parado e, qualquer que seja a direção em que as pernas começam a andar, o chão logo toma a forma de uma escada. Além do mais, é preciso reconhecer: sem mal-estar, sem adversidade, sem um castigo sequer, com se podem esperar que haja alguma adaptação?" - Rubens Figueiredo (Passageiro do Fim do Dia)